quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Bíblia: uma biblioteca de Deus para nós



“Tua palavra é lâmpada para meus pés, e luz para meu caminho” (Sl 119, 105)

Por Janice Alves



A palavra Bíblia vem do grego bíblos e significa livros. Embora apresentada num único livro a Bíblia católica contém 73 livros distribuídos em Antigo Testamento (46 livros) e Novo Testamento (27 livros).

O Antigo Testamento (AT) não deve ser entendido como ultrapassado, devido ao nome “antigo”, seria mais adequado chamá-lo de Primeiro Testamento. Este apresenta a história do povo de Israel. O Novo ou Segundo Testamento (NT) apresenta a vida de Jesus e das primeiras comunidades. A palavra testamento tem o mesmo significado de Aliança, portanto, as duas grandes partes da Bíblia contam a primeira e a segunda aliança de Deus com seu povo.

O Primeiro Testamento começou a ser escrito aproximadamente 1.000 a.C., após muitos séculos de transmissão oral da palavra de Deus. O Segundo Testamento teve seus últimos escritos por volta do ano 100 d.C., ou seja, o ano 100 da nossa era.

A ordem dos livros apresentados na Bíblia não implica a ordem em que foi escrita, nem a ordem cronológica dos fatos. O primeiro texto do AT a ser escrito foi o Cântico de Débora, encontrado no capítulo 5 do livro dos Juízes, o último do AT a ser escrito foi o livro da Sabedoria. No NT o primeiro livro a ser escrito foi a Carta de Paulo aos Tessalonicenses, o último foi o livro do Apocalipse.

O AT possui seus 46 livros divididos em Pentateuco (5 primeiros livros, ou Torah, os livros da lei), 16 livros históricos, 7 livros sapienciais e 18 livros proféticos. Já o NT se divide em 4 evangelhos (doutrina de Cristo), o livro dos Atos dos Apóstolos (que apresenta a história do nascimento das primeiras comunidades cristãs), as 13 cartas de São Paulo, outras 7 cartas católicas e, por fim, o livro profético do Apocalipse.

A Bíblia foi escrita originalmente em hebraico, aramaico e grego. Alguns livros (sete) escritos em grego e adicionada a Bíblia na tradução dos Setenta, por volta de 250 a.C. não constam na Bíblia hebraica e não foram aceitos pelos hebreus como inspirados por Deus. Desta forma a Bíblia protestante e evangélica que segue esta versão da bíblia não possui estes sete livros que são: Tobias, Judite, Baruc, Eclesiástico, Sabedoria e 1 e 2 Macabeus, além de algumas partes dos livros de Daniel e Ester. Como a Igreja Católica adotou a versão grega (73 livros) e os evangélicos a versão hebraica (66 livros) estes livros, todos do AT, são a diferença entre ambas.

A Bíblia não se trata de um livro científico nem histórico, mas um livro escrito sob inspiração divina, que fala ao coração do escritor humano. Por isso dizemos que Deus é o autor da mesma. Nem sempre o livro da Bíblia trás o nome do seu escritor, os evangelhos por exemplo foram escritos pelas comunidades fundadas pelos evangelistas.

A Igreja Católica do Brasil celebra desde 1971 durante todo o mês de setembro o Mês da Bíblia com o objetivo de levar a reflexão de que a Palavra de Deus é por excelência o livro da vida dos cristãos que deve ser estudada e vivenciada.

O dia 30 de setembro que encerra o mês da Bíblia é dia de São Jerônimo, um dos maiores Doutores da Igreja dos primeiros séculos. Este nasceu onde hoje é a Croácia por volta do ano 340. Foi chamado a Roma pelo Papa Damaso para traduzir a Bíblia ao latim, devido a sua vasta cultura e conhecimento que tinha de latim, grego e hebraico. Este trabalho durou praticamente toda a sua vida.

Conhecer a Sagrada Escritura é essencial para conhecer a Cristo. Rezemos para que cresça em nós, catequistas e catequisandos, esse desejo: Senhor que Tua palavra seja lâmpada para nossos pés, e luz para nosso caminho. São Jerônimo, rogai por nós!

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